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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O que sabemos sobre ortografia?


Uma das grandes preocupações dos professores das séries iniciais é a questão da ortografia.

É muito comum o professor revisar o texto dos alunos, corrigindo "palavras erradas".  Esta prática merece algumas reflexões e não pode ser automatizada.
A correção de um texto vai muito além das questões ortográficas, mas também passa por elas.  Ao deparar-se com o texto do aluno o professor deveria diagnosticar o tipo de erro por ele cometido a fim de trabalhar as dificuldades reveladas.  A questão, no entanto, é que muitas das vezes este mesmo professor não tem conhecimentos suficientes para categorizar estes erros.
O livro: Ortografia: Ensinar e Aprender, de Artur Gomes de Morais, trata sobre estas questões com bastante clareza e simplicidade, além de auxiliar o professor teoricamente, como se pode ler abaixo em um trecho extraído do livro e publicado na revista Nova Escola, em 2003: 

Teoria

A convenção que unifica a escrita das palavras em Língua Portuguesa exige algum esforço para ser compreendida. Observe abaixo os casos mais freqüentes, seguidos de exemplos práticos.

Regulares — São as palavras cuja grafia podemos prever e escrever, mesmo sem conhecê-las, porque existe um "princípio gerativo", regra que se aplica à maioria das palavras da nossa língua. As correspondências regulares podem ser de três tipos:

Diretas — Inclui a grafia de palavras com p, b, t, d, f e v (exemplo: pato, bode ou fivela). Não há outra letra competindo com elas, mas é comum a criança ter dificuldade para usá-las por causa do pouco conhecimento da pronúncia.

Contextuais — A "disputa" entre o r e o rr é o melhor exemplo desse tipo de correspondência. A grafia que devemos memorizar varia em função do som da letra. Por exemplo: para o som do "r forte", usamos r tanto no início da palavra (risada), como no começo de sílabas precedidas de consoante (genro). Quando o mesmo som de "r forte" aparece entre vogais, sabemos que temos que usar rr (carro, serrote). E, quando queremos registrar o outro som do r, que alguns chamam de "brando", usamos só um r, como em careca e braço. Essa variedade explica por que, a princípio, as crianças têm tanta dificuldade.

Morfológico-gramaticais — Nesse caso são os aspectos ligados à categoria gramatical da palavra que estabelecem a regra com base na qual ela será escrita. Por exemplo: adjetivos que indicam o lugar onde a pessoa nasceu se escrevem com esa (francesa, portuguesa), enquanto substantivos derivados se escrevem com eza (certeza, de certo; avareza, de avaro). Na maioria dos casos essas regras envolvem morfemas (partes internas que compõem a palavra), sobretudo sufixos que indicam a família gramatical.

Irregulares — Não há regras que ajudem o estudante a escrever corretamente. A única saída é memorizar a grafia ou recorrer ao dicionário. Elas se concentram principalmente na escrita:

• do som do s (seguro, cidade, auxílio);
• do som do j (girafa, jiló);
• do som do z (zebu, casa);
• do som do x (enxada, enchente);
• o emprego do h inicial (hora, harpa);
• a disputa entre e, i , o e u em sílabas átonas que não estão no final de palavras (seguro, tamborim);
• ditongos que têm pronúncia "reduzida" (caixa, madeira, vassoura etc.).

Texto adaptado do livro Ortografia: Ensinar e Aprender, de Artur Gomes de Morais

terça-feira, 8 de setembro de 2009

OS TRÊS PORQUINHOS NA VERSÃO DA 301


Na semana passada trabalhei com minha turma de 3º ano 5 versões diferentes da história dos Três Porquinhos. Meu objetivo era mostrar as muitas possibilidades de recontar uma mesma história e de possibilitar um trabalho de autoria. Assim, após as leituras, lancei o desafio de criar a versão da turma. Foi uma trabalheira... O texto ficou pronto em duas aulas e deixou patente que a produção textual é trabalhosa, que exige cuidados e adequações que passam despercebidos na linguagem oral, alem de evidenciar que em meio a muitas idéias é preciso selecionar as que garantam coesão e coerência textual.

Estou orgulhosa tanto pelo produto final quanto pelo processo.



OS TRÊS PORQUINHOS NA VERSÃO DA 301
Era uma vez três porquinhos que viviam em uma floresta.

Cada um resolveu construir sua própria casa.

O primeiro, chamado Zé Mané, construiu sua casa de vidro, assim poderia admirar a paisagem.

O segundo, chamado Zé Ruela, construiu sua casa de bambu, assim seria sempre fresquinha.

O terceiro, chamado Zé Sabido, construiu sua casa de tijolo, assim seria forte e segura.

Um dia, um lobo chamado Zé Malvado estava passeando pela floresta quando encontrou as casas dos três porquinhos.

Zé Malvado se aproximou da casa de vidro fantasiado de carteiro. Zé Mané, que não sabia ler, percebeu pelo pé que era o lobo e fugiu pela porta dos fundos pra casa de Zé Ruela.

Quando Zé Malvado percebeu que lá não havia ninguém, disfarçou-se de entregador de pizza e bateu na próxima casa.

Zé Ruela, que não tinha um tostão no bolso, já ia abrir a porta quando percebeu pelo rabo que só podia ser o lobo e saiu correndo pra casa do Zé Sabido.

Quando o lobo percebeu que lá não havia ninguém, disfarçou-se de bebê e bateu na terceira casa.

Os três porquinhos, que adoravam bebês, abriram a porta, mas perceberam a tempo que era o lobo por causa de seu tamanho e trataram de colocá-lo pra correr à base de vassouradas.

Nunca mais se ouviu falar do lobo Zé Malvado por aquelas bandas.

E os três porquinhos viveram felizes para sempre, cada um em sua casinha.

Versão Coletiva da turma 301 - E. M. Dulce de Moura
Profª Mônica Pinheiro