Mostrando postagens com marcador Alfabetização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alfabetização. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Papel da cópia


Delia Lerner

Escrever não é copiar. Sabemos hoje que a cópia não é a chave que abre as portas da escrita. Sabemos que aprendemos a escrever escrevendo (produzindo textos baseados nas próprias hipóteses, refletindo e discutindo sobre elas) elendo, esforçando-se para interpretar o que outros escreveram convencionalmente. Faz sentido, então, incluir a cópia nas atividades escolares?

Sim, porque a cópia é uma prática a que todos recorremos fora da escola, quando queremos guardar uma receita, a letra de uma música, certa idéia de um autor.

Sim, porque a cópia implica uma intensa atividade intelectual. Não é uma reprodução mecânica (por isso, o resultado nem sempre é idêntico ao modelo). Só podemos copiar aquilo que, de algum modo, conhecemos: uma coisa é copiar um parágrafo escrito em um idioma conhecido e outra é copiá-lo em um idioma desconhecido. Copiar requer saberes específicos. Quando copiam, as crianças usam tudo o que sabem para que o texto fique o mais parecido possível com o original. Copiar pode ser, então, um desafio.

A cópia pode ajudar na aprendizagem quando contribui para a aquisição de uma forma fixa que será fonte de informação para produzir outras escritas; quando o aluno está escrevendo e busca numa palavra conhecida uma parte que serve para escrever outra palavra (para “livro”, pode procurar “li” em “limão”, por exemplo); quando elabora a ficha de um livro para a biblioteca e precisa localizar o título e o nome do autor; quando quer citar um verso de um poema ou uma frase de um personagem; quando se propõe a copiar um texto para conservá-lo ou enviá-lo a um destinatário.

Se reconhecermos que a cópia é somente uma das atividades que contribuem para a aquisição da escrita, se a incluirmos como recurso para resolver problemas de produção, se não esperarmos que o resultado seja cópia fiel do modelo e apreciarmos as diferenças como expressão da atividade intelectual das crianças no processo de reprodução, então podemos dar lugar à cópia no processo de alfabetização.
Delia Lerner é profesora titular do Departamento de Ciências da Educação da Universidade de Buenos Aires. 
Publicado em 22/07/2008

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O desafio de ensinar a ler: Atividades que possibilitam a aquisição da leitura

Elaborei este material para uma oficina que ofereci no município de Mesquita em 2010.

[1]Mônica Valéria Pinheiro


Leitura de Letras

1.   Bingo de Letras
Materiais: lápis, papel e cartões com as letras do alfabeto.
Procedimento: Cada aluno ou grupo de aluno recebe um pedaço de papel e escreve uma das palavras da lista trabalhada. O professor passa a sortear as letras, mostrando-as e repetindo seu nome várias vezes. Caso a criança ou grupo tenha a letra sorteada em sua cartela deverá marcá-la.  Vence aquele que marcar, primeiro, todas as letras da cartela.

Leitura de Palavras:

1.   Bingo de Leitura
Materiais: lápis, papel e fichas com as figuras correspondentes as palavras da lista trabalhada.
Procedimento: Cada aluno ou grupo de aluno recebe um pedaço de papel, escolhe quatro palavras da lista e as escreve. O professor passa a sortear as fichas, mostrando-as e repetindo seu nome várias vezes. Caso a criança ou grupo tenha a palavra correspondente em sua cartela deverá marcá-la.  Vence aquele que marcar, primeiro, todas as palavras da cartela.

2.   Preguicinha
Materiais: envelopes de colorset com abertura nas duas extremidades, cartões com palavras de uma lista já trabalhada
Procedimento: Esconder o cartão no envelope e propor a adivinhação da palavra, mostrando lentamente ora a letra inicial, ora a letra final até que as crianças descubram a palavra escondida.

3.   Memória coletiva
Materiais: Quadro de cinco pregas; seis pares de cartões com as palavras da lista e as figuras correspondentes; cartões numerados de 01 a 04 e cartões com as letras A, B, C e  D.
Procedimento: Dividir a turma em pequenos grupos. Organizar na primeira linha do quadro de pregas os cartões numerados e na primeira coluna os cartões com letras. Completar as linhas e colunas com os cartões de figuras e de palavras embaralhados e voltados para trás. Cada grupo, na sua vez de jogar escolhe um par ordenado. O grupo que encontrar mais pares vence a partida.

4.   Certo ou errado?
Materiais: Quadro de várias pregas; 02 cartões com os títulos das categorias de listas trabalhadas em sala de aula e cartões com as palavras destas listas.
Procedimento: Cada grupo é desafiado a organizar os cartões de acordo com a categoria. A conferência deve ser feita coletivamente.

5.     Passa ou repassa
Materiais: Cartões com palavras de várias categorias de listas trabalhadas em sala de aula.
Procedimento: A turma deverá ser organizada em dois grupos. Cada grupo indica um participante, que deverá se posicionar de frente para seu oponente, em volta de uma mesa e com as mãos na cabeça. O professor sorteia uma categoria e mostra a primeira palavra. Ao seu comando os jogadores devem bater na mesa o mais rápido que conseguirem. Aquele que bater primeiro terá o direito de fazer a leitura da palavra. Se estiver certo, marca ponto para o grupo e desafia outro oponente. O jogo segue até que todos tenham participado.

Leitura de frases:

1.   Frases embaralhadas
Materiais: Quadro de 01 prega; tiras com palavras que possibilitem a formação de frases.
Procedimento: Cada grupo é desafiado a organizar uma frase. O sentido da frase é conferido coletivamente.

Leitura de Texto:
1.     Texto fatiado
Materiais: Quadro de várias pregas; tiras de cartões com frases que compõe um pequeno texto conhecido de memória.
Procedimento: Cada grupo é desafiado a organizar o texto. A conferência deve ser feita coletivamente.
2.     Leitura Explosiva
Materiais: Quadro de 01 prega; envelopes com adivinhas; cartões com as respostas correspondentes às adivinhas e balões coloridos
Procedimento: Cada grupo elege um representante que receberá uma das bolas de aniversário e funcionará como cronômetro para um grupo adversário. Na sua vez de jogar, o grupo recebe um envelope com uma adivinha que deverá ser lida para todos. O grupo se põe a procurar a resposta entre os cartões que deverão estar espalhados sobre a mesa, enquanto o representante do outro grupo se põe a assoprar a bola. Assim que encontrar a palavra deverá colocá-la no quadro de pregas. Se o grupo demorar a encontrar a resposta e a bola estourar, perde a rodada. Se errar a palavra pode fazer mais duas tentativas enquanto a bola não estoura. Se acertar a palavra, o adversário deverá segurar a bola, sem esvaziá-la, aguardando a nova partida para continuar a assoprá-la.



[1] Monica Valéria Pinheiro é licenciada em Pedagoga pela UERJ e Especialista em Supervisão Educacional pela FIJ. Atualmente é Supervisora Educacional da rede FAETEC e professora Alfabetizadora da rede Municipal de Nova Iguaçu.  Também atua como formadora de Alfabetização e Linguagem nos cursos de Formação Continuada para Séries Iniciais no município de Mesquita

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A exposição aos textos não alfabetiza

Muitos são os professores que já compreenderam a importância de um ambiente alfabetizador. Todavia, há um certo equívoco em nossa prática alfabetizadora.  O fato de trazer textos para a sala de aula, de pendurá-los na parede não garante e tampouco promove a alfabetização.  Prova disto é que adultos não alfabetizados convivem com textos ao longo da vida e ainda assim não são capazes de ler. Porque isto acontece?  Porque a visão de um texto, para quem não compreende o funcionamento do Sistema de Escrita Alfabética, não passa de um amontoado de letras.
A presença de textos  no campo visual do aprendiz é extremamente importante, mas precisa vir acompanhada de um trabalho sistemático de reflexão sobre a escrita, senão não passará de poluição visual.
Cabe ao professor alfabetizador garantir que os textos expostos sejam devidamente explorados, analisados e compreendidos.  Assim, de fato, os textos exercerão o devido papel no processo de alfabetização.
Mônica Pinheiro

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Gibis podem ser usados em sala de aula? Como?

Sim. As histórias em quadrinhos são boas ferramentas de incentivo à leitura, seja lá qual for a idade do leitor. A associação de textos e imagens torna o ato de ler mais atraente e os elementos gráficos (como os balões e as expressões faciais dos personagens) facilitam a compreensão da trama. Como abordam variados temas – aventuras espaciais, convivência entre animais etc. –, permitem que professores de diferentes áreas trabalhem com um amplo leque de informações. Enredos de ficção científica, por exemplo, podem ser o ponto de partida para o debate de assuntos relacionados à disciplina de Ciências. O importante para usá-los corretamente é criar a estratégia adequada, combinando as especificidades do conteúdo, o tema da história e as características dos estudantes (a faixa etária, o nível de conhecimento e a capacidade de compreensão).


Pergunta enviada por Kennedy Xavier Soares, Manaus, AM

CONSULTORIA  Alexandre Barbosa, mestre em Ciências da Comunicação, Paulo Ramos, editor do Blog dos Quadrinhos, eWaldomiro Vergueiro, coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da Universidade de São Paulo.

Publicado em NOVA ESCOLA, Edição 219, JANEIRO 2009

Por que as crianças devem aprender a escrever com letra de fôrma para depois passar para a cursiva?

LETRAS DE FÔRMA São a melhor opção para a alfabetização inicial porque não se emendam umas às outras. Foto: Reprodução
Esta escolha está relacionada ao processo de construção das hipóteses da escrita. Durante a alfabetização inicial, os pequenos trabalham pensando quais e quantas letras são necessárias para escrever as palavras. As letras de fôrma maiúsculas são as ideais para essa tarefa, já que são caracteres isolados e com traçado simples - diferentemente das cursivas, emendadas umas às outras. O aprendizado das chamadas "letras de mão" deve ser trabalhado com crianças alfabéticas, que já têm a lógica do sistema de escrita organizada. Antes de estarem alfabetizadas, elas entram em contato naturalmente com as letras cursivas e as de fôrma minúscula e até podem ser apresentadas a elas, desde que tal contato fique restrito à leitura.

Julia de Almeida, Belo Horizonte, MG
Consultoria Cristiane Pelissari, selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10.

Publicado em NOVA ESCOLA, Edição 217, NOVEMBRO 2008

segunda-feira, 28 de março de 2011

História de vida

Assisti a este vídeo em uma formação que acompanhei na E.M. Ondina Couto em Mesquita.  Vale a pena assistir e refletir sobre o papel do educador na quebra de uma herança fundamentada na não valorização da educação como meio de transformação da realidade social.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Texto Com Sentido

Abandonar as chatas cartilhas, as famílias silábicas e enxergar o erro como expressão do processo de aprendizagem foram as principais inovações da Escola da Vila

Andréa Luize

Desde a implantação da Escola da Vila, uma das preocupações da equipe foi estruturar um trabalho baseado na proposta construtivista. Tarefa árdua numa época em que a concepção tradicional de ensino e aprendizagem era dominante! Passados esses anos, as contribuições desta instituição aos avanços da Educação têm sido fundamentais: o que fora considerado ousadia, hoje se mostra como um ponto de referência para as mais diversas escolas e profissionais. As idéias construtivistas acerca do processo de alfabetização vêm sendo cada vez mais divulgadas: as práticas tradicionais não mais encontram espaço onde se busca uma alfabetização atualizada e de qualidade.

Em 1983, a partir de um primeiro contato com as idéias apresentadas por Emília Ferreiro e Ana Teberosky, começou-se a repensar a prática cotidiana em sala de aula. Sabemos, atualmente, que um sujeito plenamente alfabetizado é aquele capaz de atuar com êxito nas mais diversas situações de uso da língua escrita. Dessa maneira, não basta ter o domínio do código alfabético - saber codificar e decodificar um texto: é preciso conhecer a diversidade de textos que circulam socialmente, suas funções e também os procedimentos adequados para interpretá-los e produzi-los. O processo de alfabetização, assim entendido, estende-se ao longo de toda a escolaridade e tem início muito antes do ingresso da criança na escola, em suas primeiras tentativas de compreender o universo letrado que a rodeia. Também implica tomar como ponto de partida o texto, pois este, sim, é revestido de função social - e não mais as palavras ou muito menos as sílabas sem sentido.


 Transformações - As idéias trazidas pelas autoras citadas, entre outros pesquisadores, indicavam como a criança aprende, como constrói seus conhecimentos sobre a língua, mas não fornecia "modelos" de como atuar pedagogicamente para favorecer seus avanços. Da mesma forma, não mostrava como os diferentes tipos de textos deveriam ser trabalhados em sala de aula. Era preciso construir efetivamente intervenções pedagógicas adequadas, consistentes e condizentes com aqueles conhecimentos teóricos, o que só foi possível a partir de experiências, investigações e muita reflexão por parte dos professores.


Naquele período, o processo de alfabetização na Escola da Vila tomava como base a idéia de palavra-chave que era utilizada como unidade lingüística. A escolha dessas palavras não acontecia aleatoriamente, mas buscava-se um vocábulo que tivesse um real significado para o grupo-classe, que fosse extraído de suas experiências. As palavras apareciam na medida em que o grupo ia construindo sua história: TOMATE, SAPO, ZEZÉ, MENUDO, PIPA, VIVEIRO. O objetivo era sistematizá-las, tornando-as familiares ao grupo, para que as crianças pudessem, aos poucos, utilizá-las na escrita de outras palavras: era preciso que conseguissem decompor a palavra em sílabas e recompor essas sílabas em outras palavras: MEDO, MATE, MAPA…

É importante afirmar que a opção por essa metodologia já se mostrava inovadora, pois resultava na certeza de que a cartilha, e a concepção que traz consigo, não era o recurso mais favorável à aprendizagem da escrita, acima de tudo por ser destituída de qualquer significado e apresentar textos desconexos apenas para garantir a "memorização das famílias silábicas". Trabalhar com esse instrumento era acreditar que o ato de ler e escrever podia ser aprendido mecanicamente através do treino, da cópia repetitiva e principalmente da memorização. Essa não era a escolha da Escola da Vila!

Escrita espontânea - Foi através da leitura e análise do livro "Psicogênese da língua escrita", das autoras já referidas, que algumas mudanças na prática foram sendo estabelecidas. Em 1986, a Escola da Vila adotou a escrita espontânea, em que a criança é solicitada a escrever antes mesmo de dominar o código alfabético. Compreendeu-se que a criança, desde muito cedo, possui hipóteses em relação à forma como se escreve. Colocá-las em prática, confrontando-as com as idéias dos colegas e com modelos permite que avance até a conquista da escrita convencional.


Mesmo assim, a utilização das palavras-chaves era mantida, pois a concepção do que torna um sujeito alfabetizado ainda era restrita. Não havia clareza sobre o que fazer quando uma criança já estava alfabética (já lia e escrevia convencionalmente). A Escola da Vila ainda não havia estabelecido um procedimento para dar continuidade ao trabalho e, de fato, não se tinha idéia da amplitude do processo de alfabetização. Isso pode ser exemplificado pela cisão existente entre o trabalho que objetivava o domínio sobre o código alfabético e o trabalho com a produção de textos: a Escola da Vila acreditava que o primeiro deveria anteceder o segundo; não era clara a idéia de que aconteceriam paralelamente.


Escrita e linguagem escrita - Mais uma vez, a busca por respostas a tantas questões esteve atrelada às reflexões do grupo de profissionais da Escola da Vila, contando com a colaboração da pesquisadora Ana Teberosky, que realizou uma supervisão junto à equipe, em 1986. Dentre as várias contribuições trazidas por essa autora, uma das mais significativas foi a diferenciação entre escrita e linguagem escrita, consideradas, ambas, parte de um mesmo processo, o processo de alfabetização.

Para Teberosky, a escrita deve ser entendida como um sistema de notação, que no caso da língua portuguesa é alfabético (conhecer as letras, sua organização, sinais de pontuação, letra maiúscula, ortografia etc.). A linguagem escrita é definida como as formas de discurso, as condições e situações de uso nas quais a escrita possa ser utilizada (cartas, notícias, relatos científicos etc.).

Na prática, no dia-a-dia da sala de aula, tudo isso se concretizou em mudanças gradativas nas propostas e intervenções feitas junto às crianças. Em primeiro lugar, era preciso tomar por base o texto, e não mais as palavras-chaves, como o modelo que permitirá à criança construir conhecimentos sobre a escrita e suas formas de representação. O texto deveria ser o elemento fundamental para inserir a criança no universo letrado!

Além da escrita espontânea já introduzida anteriormente, também o trabalho com modelos, que permitem às crianças confrontarem suas hipóteses com o convencional, passou a ser considerado. Através de listas de palavras de um mesmo campo semântico (animais, comidas prediletas, personagens de gibi, brinquedos, jogos favoritos, nomes das crianças do grupo etc.), das parlendas e de outros textos, as crianças podem, hoje, ampliar suas concepções e avançar na aquisição da base alfabética, como também na compreensão de outros aspectos aqui inerentes (a grafia correta das palavras, o uso de sinais gráficos etc.).

Paralelamente, os diferentes tipos de textos precisam aparecer como objetos de análise em si mesmos, permitindo aos alunos diferenciá-los, conhecer melhor suas funções e características específicas. Para que isso se efetive, não só é necessário que saibam interpretá-los, como também escrevê-los (o que é de fato imprescindível!). A expressão pessoal - cartas, bilhetes, diários etc. - continua fazendo parte de nosso trabalho, mas acompanhada, na mesma medida, da escrita de outros textos, inclusive apoiada em modelos.

Todos esses avanços - e principalmente a concepção que temos hoje sobre a alfabetização - permitem caracterizar o trabalho realizado na Escola da Vila por sua qualidade. Também é importante lembrar que a preocupação com essa qualidade faz com que os profissionais que aqui atuam estejam em constante capacitação, a fim de aprimorar cada vez mais as intervenções pedagógicas realizadas e o atendimento às necessidades de cada criança.

Texto disponível em:

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

ESCREVER QUANDO NÃO SE SABE


Rosângela Veliago

O que geralmente acontece quando as crianças ingressam na escola?
Nas séries iniciais, elas são submetidas a inúmeras atividades de preparação para a escrita, em geral cópia ou ditado de palavras que já foram memorizadas. Primeiro copiam sílabas, depois palavras e frases, e só mais tarde são solicitadas a produzir escritas de forma autônoma.
Isso só acontece na escola. No dia-a-dia, as pessoas aprendem de outro modo: fazendo, errando, tentando de novo, até acertar.
A concepção tradicional de alfabetização dá prioridade ao domínio da técnica de escrever, não importando propriamente o conteúdo. É comum as crianças terem de copiar escritos que não fazem para elas o menor sentido: “O boi baba”; “A fada é Fátima”.
Os aprendizes não se lançarão ao desafio de escrever se houver a expectativa de que produzam textos escritos de forma totalmente convencional: no início da alfabetização, isso ainda não é possível.

Para aprender a escrever, é fundamental que o aluno tenha muitas oportunidades de fazê-lo, mesmo antes de saber grafar corretamente as palavras: 
quanto mais fizer isso mais aprenderá sobre o funcionamento da escrita.
 A oportunidade de escrever quando ainda não sabe
permite que a criança confronte hipóteses sobre a escrita
 e pense em como ela se organiza, o que representa, para que serve.

Na escrita existem dois processos que precisam ocorrer simultaneamente. Um diz respeito à aprendizagem de um conhecimento de natureza notacional: o sistema de escrita alfabético; o outro se refere à aprendizagem da linguagem que se usa para escrever (Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa).
Para que esses dois processos se desenvolvam de maneira adequada “é fundamental considerar os alunos como escritores plenos, capazes de produzir textos diversos dirigidos a destinatários reais e orientados para cumprir propósitos característicos da escrita – informar, registrar, persuadir, documentar –, evitando colocá-los na posição de meros copiadores de escritos irrelevantes, em situações em que a cópia não responde a nenhum propósito identificável” (Actualización curricular).
O ato de escrever implica o controle de dois aspectos fundamentais: o que escrever e como escrever – e isso não é simples, principalmente quando se está aprendendo. Esse é um momento em que os alunos precisam pensar em como escrever, em como se organiza o sistema alfabético de notação.
Muitas atividades podem ser propostas para as crianças explicitarem suas hipóteses, compararem com as hipóteses de seus colegas e com a escrita convencional, em vez de reduzir o ensino à codificação de sons em letras, ou à reprodução de frases ou palavras soltas.
O trabalho em parceria é um grande aliado: pode-se agrupar os alunos e propor que escrevam listas, trechos de histórias, títulos de livros, textos poéticos que conhecem de memória (músicas, parlendas, quadrinhas, adivinhações ou trava-línguas).
Quando estão trabalhando coletivamente, é importante definir com clareza os papéis, para que todos participem: um aluno pode, por exemplo, ditar enquanto o outro escreve, ou um ditar, outro escrever e outro revisar. Esses papéis precisam se alternar, para que sempre haja novos desafios para todos.

 Texto de Rosângela Veliago, a ser publicado em Cadernos da TV Escola, MEC/1999.74

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

LER QUANDO NÃO SE SABE

Todos os anos chegam à escola pública umas poucas crianças que já sabem ler, mas a maioria ainda vai aprender. E muitas pessoas se perguntam: Como será que algumas crianças se tornam leitoras antes de estudar as lições da cartilha? Será que são mais inteligentes?

Por outro lado, muitos também refletem: Por que algumas crianças levam dois, três, quatro anos, ou até uma vida (no caso dos adultos analfabetos) para aprender a ler? Com certeza, na maioria dos casos não se trata de um distúrbio, pois um dia eles aprendem – sabemos disso. Conversando com os pais, e até mesmo com essas crianças leitoras, descobrimos coisas interessantes. Eles dizem, por exemplo:
• Aqui em casa lemos a Bíblia todos os dias; meu filho sempre pergunta onde está escrito    o que escuta a gente ler.
• Gosto de ler histórias para ele e apontar onde estou lendo.
• Acho bom as crianças saberem o que está escrito nas embalagens e, por isso, leio sempre para minha filha, que me enche de perguntas.
• Ganho gibis velhos da minha patroa e dou para a minha filha brincar de ler.

É fascinante ouvir os pais contarem essas histórias e tantas outras, observar o interesse das crianças pela palavra escrita e, mais bonito ainda, ver como esses pais, sem perceber, estão o tempo todo ensinando aos filhos a respeito da leitura.
Nessas situações, os adultos são verdadeiros parceiros, são informantes; usam textos reais, tratam os pequenos como leitores, acreditam que é lendo que se aprende a ler – ainda que nem sempre tenham consciência disso. Para eles, compreender e decifrar o texto são coisas que caminham juntas.
Poderíamos dizer que essa é uma situação privilegiada: pais que dão a seus filhos informações a respeito da escrita. E o que acontece quando os pais são analfabetos? As crianças não aprendem só com adultos, mas também com outras crianças que já sabem ler. Quantas vezes não ouvimos os pais dizerem: O mais velho estava estudando e ele ficava observando; aprendeu praticamente sozinho. E há também o caso das classes multisseriadas, em que alunos com nível de conhecimento bem diferenciado aprendem muito uns com os outros.
Hoje sabemos que, para adquirir conhecimentos, não basta ouvir. Na verdade, as crianças interpretam o que ouvem, pensam e refletem a partir do que já conhecem. Desde muito pequenas, elas podem e devem conhecer os diferentes materiais de leitura, saber para que servem e tentar descobrir o que está escrito.
É por isso que o trabalho com a linguagem escrita é de extrema importância na Educação Infantil. Não se trata de preparar as crianças para a 1ª série, mas sim de oferecer-lhes a leitura e a escrita. As crianças pequenas sempre podem e querem aprender muito. Mas, o que fazer quando não há adultos informantes, nem irmãos que possam ajudar, nem classes multisseriadas? Nesses casos, o papel de ensinar a ler e escrever cabe somente à escola, mais especificamente ao professor.
Ao iniciar o ano, é fundamental fazer uma sondagem, um diagnóstico dos conhecimentos dos alunos. É indispensável entender como eles elaboram hipóteses a respeito da escrita e da leitura, para organizar um trabalho que lhes coloque bons desafios.

Dez questões a considerar

O planejamento de situações de leitura para alunos que estão se alfabetizando deve considerar as seguintes questões:

1. É possível ler, quando ainda não se sabe ler convencionalmente.

2. Ler (diferentes textos, em distintas circunstâncias de comunicação) é um bom problema a ser resolvido.

3. Quando o aluno ainda não sabe decodificar completamente o texto impresso e precisa descobrir o que está escrito, sua tendência é buscar adivinhar o que não consegue decifrar, recorrendo ao contexto no qual os escritos estão inseridos, bem como às letras iniciais, finais ou intermediárias das palavras.

4. Os alunos devem ser tratados como leitores plenos: é preciso evitar colocá-los em posição de decifradores, ou de “sonorizadores” de textos.

5. É fundamental planejar, desde o início do processo de aprendizagem da leitura, atividades que tenham a maior similaridade possível com as práticas sociais de leitura.

6. Deve-se dar oportunidade às crianças de interagir com uma grande variedade de textos impressos, de escritos sociais.

7. Apresentar os textos no contexto em que eles efetivamente aparecem favorece a coordenação necessária, em todo ato de leitura, entre a escrita e o contexto.

8. É preciso propor atividades ao mesmo tempo possíveis e difíceis, que permitam refletir sobre a escrita convencional: atividades em que os alunos ponham em jogo o que sabem, para aprender o que ainda não sabem.

9. É importante não trabalhar com as palavras isoladamente, mas como meio para que o aluno, com sua atenção focalizada em uma unidade pequena do texto, possa refletir sobre as características da escrita.

10. Deve-se favorecer a cooperação entre os alunos, de tal modo que eles possam socializar as informações que já têm, confrontar e pôr à prova suas diferentes estratégias de leitura.

Na sala de aula,
devemos oferecer aos alunos  muitas oportunidades de aprender a ler,
adotando procedimentos utilizados pelos bons leitores.

É necessário selecionar com cuidado os textos; garantir às crianças a oportunidade de observar como os já leitores utilizam os materiais de leitura; e organizar situações em que elas participem de atos de leitura. É preciso também planejar atividades de leitura que contribuam para a compreensão do sistema de escrita e favoreçam a análise e a reflexão acerca da correspondência fonográfica própria de nosso sistema de escrita. Esse tipo de atividade exige uma análise quantitativa e qualitativa da correspondência entre os segmentos falados e os escritos. São situações em que o aluno deve ler, embora ainda não saiba ler. Vejamos alguns exemplos (apud Actualización curricular (EGB) Primer Ciclo, Secretaría de Educación, Dirección de Curriculum, Municipalidad de la Ciudad de Buenos Aires, 1995):

1. Garantir um espaço para trabalhar com textos conhecidos pelos alunos, aproveitando situações em que seja significativo ler e reler o que já conhecem de memória. Experimente, por exemplo, ensaiar uma música que todos vão cantar juntos, acompanhando com a leitura no texto impresso – ou um poema, ou uma adivinhação, que se vá gravar em fita cassete. Essas atividades tornam possível acompanhar no texto o que vai sendo dito, e ajudam a pensar na correspondência entre “o que se diz” e “o que está escrito”.

2. Quando se trata de textos desconhecidos, lançar mão de diferentes situações que requerem uma leitura exploratória, destinada a localizar determinadas informações (em vez de propor a leitura exaustiva de tudo que está escrito):

• localizar onde está dito – por exemplo, achar no jornal em qual emissora de tevê e em que horário é transmitido determinado programa de interesse;

• determinar se o texto diz ou não diz algo – por exemplo, ver se no cardápio do dia consta ou não consta determinada comida;

• identificar qual é a correta, entre várias possibilidades antecipáveis: qual das fichas da biblioteca corresponde ao conto de Branca de Neve, qual ao da Gata Borralheira…

3. Criar contextos que permitam aprofundar o trabalho sobre o texto, como, por exemplo:

• ler um trecho e pedir para os alunos formularem suposições sobre seu significado e, depois, confrontarem com os indicadores que o texto oferece;

• propor várias alternativas possíveis de interpretação, para que os alunos decidam qual delas aparece efetivamente no texto.

As crianças podem aprender muito sobre a escrita, tanto dentro quanto fora da escola, mas, para isso, a condição é acreditar que todas podem aprender e valorizar o que já sabem – em vez de enfatizar, o tempo todo, aquilo que ainda não aprenderam. O desafio pedagógico, como sempre, está na articulação entre o difícil e o possível de ser realizado pelos alunos.

Texto de Rosa Maria Antunes de Barros, a ser publicado em Cadernos da TV Escola, MEC/1999

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Volta às aulas...é hora de estabelecer a disciplina!

Iniciar um ano letivo é sempre um desafio para o professor.  As expectativas são muitas, principalmente se não estiver seguindo com a mesma turma. Preocupações com a disciplina e com o nível de aprendizagem são as mais comuns.
Quanto à disciplina, é preciso que desde o início o professor faça aliança com seus alunos. Disciplina imposta pode até produzir alguns frutos, mas frutos melhores serão obtidos quando esta disciplina for conquistada por meio de acordos firmados entre professor e aluno.  Não se trata de deixar a responsabilidade da liderança nas mãos da turma, mas de conscientizá-la dos benefícios da disciplina e da ordem.  Assim, já nos primeiros dias de aula é importante que o professor se posicione com doçura e firmeza, deixando claro seu papel de educador.
  Um sugestão bastante interessante é a de incluir-se no momento da tradicional auto-apresentação da turma.  Este é um momento excelente para falar de suas expectativas em relação a turma, de seu compromisso e de seus gostos em termos de comportamento em sala de aula. A partir daí pode-se propor a produção coletiva de uma lista de acordos entre alunos e professor.  Cada item  deve ser discutido quanto à coerência  antes de integrar a lista que ficará exposta na sala de aula.
A mesma lista pode ser impressa e colada no caderno de cada aluno.
Outra estratégia bastante válida é propor que cada um assine sua lista como forma de assumir compromisso de cumprir o que nela está proposto.
É bom lembrar que o fato de ter a lista exposta na sala ou mesmo no caderno não tem o poder de gerar uma turma disciplinada.  Um professor que vive aos gritos, que se desestabiliza facilmente, que faz ameaças constantes pode até conseguir manter uma turma calada, mas dificilmente terá o tão sonhado domínio de turma, pois este caracteriza-se pela conquista de uma convivência harmoniosa e estável.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Variar para agradar!

Nenhuma recurso, por mais ataente que seja, tem em si a capacidade de atrair por todo o tempo.  Engana-se quem pensa que pode seduzir seus alunos com um único material ou metodologia.  Um bom exemplo do que estou querendo dizer é o uso de fantoches.  Quando o professor apresenta um fantoche pela primeira vez, à sua turma, é uma verdadeira sensação!  As vezes seguintes poderão até ter um certo encanto. Mas se este professor utilizar este mesmo fantoche em todas as aulas, certamente experimentará a frustração de ver seu recurso perder o brilho.
Penso que o segredo seja variar para agadar! Diversificar. Trazer para a sala o elemento surpresa. Não precisa ser um recurso mirabolante, mas precisa causar um certo impacto.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Indicação de literatura

Imperdível!
Esta coleção é simplesmente um espetáculo para as turmas do ciclo de alfabetização.
Além de recontar de forma divertida alguns clássicos da literatura infantil por meio de personagens que as crianças adoram (Turma da Mônica), apresenta ilustrações com características de gibi e texto em caixa alta.



terça-feira, 16 de março de 2010

Importância do Alfabeto


Explorar o alfabeto é ir além de afixá-lo nas paredes


Nas classes de educação infantil e alfabetização acontecem os primeiros contatos das crianças com as letras.
Com isso, a visualização das mesmas é de fundamental importância para que os pequenos sintam-se seguros ao reproduzi-las para o papel, afinal ainda não aprenderam como é a grafia correta das 26 letras do nosso alfabeto.
Ao imaginar uma palavra a ser escrita, as crianças conseguem montá-la, copiando o traçado correto das letras.
O alfabeto afixado na sala é de grande importância no mundo da escrita, pois dá maior segurança para quem está aprendendo seus primeiros traçados. Se a criança não lembra pra que lado fica a perninha do “P”, basta consultá-lo que sua dúvida se esclarecerá.
A oportunidade de visualizar o alfabeto se constitui também em autonomia, pois a criança deixa de depender do professor ou dos colegas, conseguindo elucidar sozinha a sua imprecisão, tornando-se mais segura, sentindo-se capaz.
Porém, não basta que o alfabeto esteja afixado na parede, é preciso incentivar os alunos a usá-lo, e propondo atividades que despertem para a fixação dos símbolos das letras.
Algumas atividades ajudam no processo de construção desse conhecimento, como as listagens, leitura de textos simples como parlendas e trava-línguas, agendas telefônicas, etc.
O professor deve manter um cronograma com essas atividades, para que as mesmas estejam sempre presentes no cotidiano da sala de aula. É bom lembrar que as mesmas são classificadas como atividades de fixação, ótimas para se decorar as letras, a ordem do alfabeto e a utilizar cada uma de forma correta.
Nas classes de alfabetização podem ser montados alfabetos pelas próprias crianças, a partir de recortes de jornais e revistas. Essa atividade pode ser feita em pequenos grupos (no máximo 4 crianças) onde pesquisam letras em tamanho grande, recortam e fazem a colagem das mesmas no papel craft ou cartolina, na ordem correta.
Essa atividade impulsiona a curiosidade, a capacidade de percepção visual, a troca de experiências, o esclarecimento das dúvidas, enfim, um ensina o outro, trabalham em conjunto, de forma integrada, para chegar a um objetivo – a montagem do alfabeto.
Dependendo do tamanho da turma, o número de cartazes será acima de cinco. Não pense que a sala ficará repetitiva, mas pelo contrário, afixados em pontos estratégicos, os mesmos poderão ser visualizados por todos, facilitando as consultas. Além disso, os cartazes terão uma representação funcional mais adequada para as crianças, pois foram feitos por elas, ou seja, existe uma vinculação positiva com os mesmos, contrário ao alfabeto grandão, colado acima do quadro.
No caso das listagens, são utilizadas nos lugares dos antigos ditados. “Faça uma lista com seis nomes de animais selvagens”. Depois da listagem cada criança lê os animais escolhidos e o professor pode acompanhar de perto essa leitura, apontando para os erros que apareceram. Mas lembre-se, deixe que a criança faça a sua correção, e nada de riscos ou canetas vermelhas grifando os mesmos.
É importante fazer esse acompanhamento, pois é uma forma de verificar as palavras que foram escritas de forma diferente (os erros). O professor deve anotar todas essas palavras e depois escrevê-las no quadro, a fim de que os alunos revejam suas escritas e façam as correções.
Com isso, as aulas de alfabetização ficam motivadas, as crianças não se sentem pressionadas pela obrigação de aprender a ler e escrever, mas o processo vai acontecendo de forma gradual, suave, sem impor regras e formas corretas a serem seguidas.
E à medida que forem dominando o alfabeto, as letras devem aparecer de outras formas, como de forma minúscula, manuscrita maiúscula e manuscrita minúscula.
Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Como agrupo meus alunos?

Em duplas, trios, quartetos... Para definir a melhor alternativa, é necessário, antes de mais nada, diagnosticar o que cada um sabe sobre o conteúdo. Como forma de ajudar nessa tarefa essencial para a aprendizagem, respondemos a 13 questões sobre o tema...

Muito interessante esta matéria publicada pela Nova Escola que está disponível em:

http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/interacoes/como-agrupo-meus-alunos-427365.shtml?page=1

Vale a pena dar uma olhadinha!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Jogo Bingo de Letras

Este jogo é uma alternativa bastante interessante para fixar os nomes das letras.  Ao contrário do que muitos pensam, identificar as letras (grafemas) pelos nomes que recebem é um passo importante no processo de apropriação da leitura, uma vez que na maioria dos casos o nome dos grafemas fornecem pistas sobre os fonemas que eles representam. 
Regras:
Cada grupo recebe uma cartela e marcadores.
A professora sorteia cartões com letras e os alunos observam os cartões comparando as letras sorteadas com as de suas cartelas.
Se a letra sorteada for igual a de suas cartelas deverão marcá-las.
Vence quem primeiro completar a cartela.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Volta às aulas em grande estilo!

A volta às aulas se aproxima. Com ela, ansiedade e temores se misturam. Como será minha turma? Darei conta de alfabetizá-los? Por onde começar? Estas e outras perguntas parecem assombrar-nos. A maioria só encontrará resposta em meio a muito planejamento, trabalho e dedicação. Mas uma dica que pode ser muito útil neste momento é fazer o diagnóstico inicial da turma. Penso que não pode haver intervenção adequada se não houver diagnóstico preciso. Assim toda ação pedagógica precisa ser pensada tomando como ponto de partida os saberes e os não saberes dos alunos.

Encontrei no site da Nova Escola este vídeo que orienta professores alfabetizadores a realizar, sem mistérios, o diagnóstico inicial nas séries iniciais do Ensino fundamental.

Vale a pena assisti-lo.
Um grande abraço,
Mônica Pinheiro

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Amo este poema! Já trabalhei algumas vezes com ele em minhas turmas de alfabetização. As crianças adoram textos com elementos de contos de fadas: príncipes, princesas, castelos e etc.
Explorar a fantasia, o mistério, a linguagem poética contribui muito na construção do imaginário infantil.
Ao ler ou ouvir a leitura dos contos de fadas na sala de aula a criança tem a oportunidade de ensaiar vários papéis sociais, experimentando situações variadas em que conflitos precisam ser enfrentados e resolvidos.


AMOR ANTIGO


Sylvia Orthof
Ali, no escuro,
por cima do muro,
no alto da torre,
morava uma princesa
de trança de prata,
da face da lua.

Ali, no canteiro,
morava uma roseira,
da rosa primeira
dos contos em flor.

Chegando de longe,
de outro reinado,
um moço montado
no seu alazão.

Subiu pela trança,
beijou a princesa...
No céu, uma estrela
virou coração!



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ROTINA NA AULA SOCIOCONSTRUTIVISTA

1. Leitura compartilhada - O professor lê todos os dias para os alunos, vários tipos de textos como: notícias, contos, poesias, histórias, fábulas, etc.

Lê por prazer, sem cobrar atividades nenhuma após esta leitura.

Objetivos: Professor enquanto modelo de leitor. Desenvolver no aluno o prazer pela leitura.


2. Roda de conversa - Professor e alunos conversam sobre assuntos variados.

Objetivos: Desenvolver no aluno a competência/oralidade. Falar o que pensa em grupos diversos, ouvir e respeitar as falas e pensamento de outras pessoas, dialogando, trocando, sendo crítico, etc.

Pode-se propor ao final o registro num texto coletivo do assunto debatido. O texto deve ser curto ( de preferência um parágrafo).

Sugestão: Criar caixas na sala com temas variados e neste momento, um destes temas, uma notícia, por exemplo, é sorteada.



3. Agenda - Atividade de cópia de texto com função social na língua (letramento)

Objetivos: Desenvolver técnicas de escrita (escrever da esquerda para a direita na linha, com capricho, etc.), além de registro diário das atividades realizadas durante a aula para acompanhamento dos pais.



4. Atividades de leitura - Esta atividade e imprescindível para a alfabetização. Todos os dias os alunos deverão desenvolvê-la. Lembre-se o bom escritor é antes um bom leitor. Deve ser realizada preferencialmente com textos que já sejam do domínio dos alunos que ainda não sabem ler convencionalmente.

Objetivos: Ler quando ainda não sabe ler (convencionalmente). Ajustar o falado ao escrito. Desenvolver a leitura.

Atividades de leitura: Leitura de ajuste, localizar palavras no texto (iniciar com substantivos) Ordenação de textos (frases, palavras), palavras cruzadas, caça. - palavras, adivinhas, localização de palavras nos textos, roda de leitura, roda de poesia, empréstimo de livros, projetos de leitura, etc.

É fundamental que intervenções tais como o trabalho com a letra inicial e final das palavras sejam feitas constantemente.



5. Atividades de escrita - Só se aprende ler, lendo e só se aprende a escrever, escrevendo. Copia é uma coisa, produção de escrita é outra. Na atividade de escrita, a criança escreve do jeito que ela sabe (hipótese de escrita) e o professor faz intervenções necessárias em relação à escrita, direto com o aluno.

Objetivos: Avançar na reflexão da Língua. Resolver a letra a ser usada (qualidade de letra), quantas letras usar (quantidade de letras), escrever textos com sentido (inicio, meio e fim), revisar ortografia e gramática, etc.

Atividades de escrita: Propor atividades de escrita com o alfabeto móvel completar textos (lacunas no início ou no final da frase), produção escrita de textos individuais e coletivos (listas, histórias, contos, etc.), reescrita de texto que se sabe de cor, revisão de textos, palavras cruzadas (sem banco de palavras), etc.



6. Atividade móvel - Este espaço é para que cada professor trabalhe de acordo com sua turma, jogos matemáticos, sala de leitura; Ciências, Estudos Sociais, Recreação e Artes.

É importante lembrar que nosso dia-a-dia escola, devemos estar desenvolvendo atividades de caráter interdisciplinar e transdisciplinar.



7. Atividade de casa - A atividade de casa é alvo de dúvidas e críticas por parte dos pais e dos professores (ou porque não tem "dever de casa" ou porque tem “dever de casa” demais ou porque “os alunos não fazem o dever”, etc.). O ideal é que a atividade de casa, planejada com antecedência, seja um desafio interessante, difícil, mas possível, que o aluno possa resolver sozinho.

Objetivo: Criar o hábito de estudar fora da escola, desenvolver a autonomia e a auto-aprendizagem.

Atividades de casa - Cruzadinha, caça-palavras, empréstimo de livros (6◦ feira trazer na 2◦ feira), leitura de textos e posterior ilustração, coletar rótulos, ler algo interessante e trazer para sala de aula, coletar materiais de sucata, observar fenômenos da natureza para posterior relato, pesquisas orais e escritas, etc.


Fonte: Curso FAP (Prefeitura Municipal de Duque de Caxias)

Alfabeto: presença confirmada em sala de aula

O alfabeto é indispensável numa classe de alfabetização.
É importante que ele esteja fixado em lugar de destaque, em tamanho bem visível, no formato bastão e sem a concorrência de figuras.
Este alfabeto serve de apoio tanto para os que ainda não se apropriaram do Sistema de Escrita Alfabética quanto para aqueles cujas dúvidas são apenas ortográficas.
Saber o nome das letras (grafemas), em muitos casos, fornece uma pista valiosa quanto ao seu valor sonoro. Visualizando o alfabeto as crianças podem testar ou confirmar suas hipótes para a escolha daquelas que acreditam  serem necessárias para a formação da palavra desejada.
O alfabeto exposto ajuda, ainda, na fixação da ordem alfabética.  Conhecimento tão importante quanto útil na execução de muitas tarefas.

Mônica Valéria Pinheiro

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

É PERMITIDO COLAR!



Uma questão que muito me incomoda é o controle que muitos educadores insistem em exercer sobre o processo de ensino e aprendizagem de seus alunos. Tais educadores assumem a postura de únicos mediadores na construção do conhecimento. Assim, chegam a exaustão na tentativa de multiplicarem-se em sala de aula. Todo este esforço, ao meu ver, desnecessário, poderia ser minimizado e, ao mesmo tempo potencializado se compreendessem que é na interação com o outro que o aluno põe em jogo tudo o que sabe e avança em suas hipóteses.
Tenho defendido que na alfabetização é permitido colar. É preciso compreender que o trabalho com duplas produtivas favorece a aprendizagem. Cabe ao professor, mediante diagnóstico, estabelecer critérios para formação destas duplas. Crianças com conhecimentos próximos tendem a evoluir quando têm a oportunidade de comparar seus conhecimentos com os do colega, já as que apresentam grandes discrepâncias tendem a perder a motivação para realização da tarefa.
Também um outro aspecto que poderíamos rotular como cola são as atividades de consulta. O desafio para o aluno que ainda não lê convencionalmente está posto quando, sabendo "o quê" tem que procurar, seja em um cartaz, um livro, revista ou no próprio caderno, precisa lançar mão de estratégias para realizar a leitura necessária para obtenção da informação desejada. Um ditado com consulta é pois uma atividade de leitura, enquanto um ditado sem consulta é uma atividade de escrita. Ambos tem valor e são necessários no processo de aquisição e consolidação do domínio do sistema de escrita alfabética.
Por Mônica Valéria Pinheiro