Mostrando postagens com marcador Fascículo 1. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fascículo 1. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Urubus e sabiás


Rubem Alves


"Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam... Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamam de Vossa Excelência. Tudo ia muito bem até que a doce tranqüilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas para os sabiás... Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa , e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito.— Onde estão os documentos dos seus concursos? E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvessem. Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam simplesmente...— Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem.E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás...MORAL: Em terra de urubus diplomados não se houve canto de sabiá."
O texto acima foi extraído do livro "Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares", editora Ars Poetica — São Paulo, 1995, pág. 81.

PRINCÍPIOS DO SISTEMA DE ESCRITA ALFABÉTICA


Fonte: Pró-Letramento/ Fascículo7 p.32


Na escrita alfabética, são utilizados símbolos (26) letras que já existem no mundo social; não se pode inventar e estas são diferentes dos números e de outros símbolos.

As letras apresentam variações no traçado, no entanto alguns traços são delimitadores e diferenciadores entre as diversas letras.

A direção predominante da escrita é a horizontal, com traçado da esquerda para a direita. Também se escreve, geralmente de cima para baixo.

A escrita alfabética registra (nota) a seqüência sonora (ou significante).

As palavras são segmentadas em partes menores (sílabas).

As sílabas são compostas de unidades menores (fonemas).

Há diferentes estruturas silábicas, mas toda sílaba contém uma vogal.

As correspondências na escrita alfabéticas são grafofônicas, ou seja, entre letras (ou dígrafos) e fonemas.

A ordem em que as letras são grafadas correspondem a ordem em que as unidades sonoras são pronunciadas.

As regras de correspondência entre letra e sons são ortográficas e não fonéticas. Dessa forma, pode-se representar um mesmo fonema através de letras diferentes ou uma mesma letra pode representar fonemas diferentes, assim como um fonema pode ser representado por uma ou mais letras

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sexa
Luis Fernando Verissimo

— Pai…
— Hmmmm…?
— Como é o feminino de sexo?
— O quê?
— O feminino de sexo.
— Não tem.
— Sexo não tem feminino?
— Não.
— Só tem sexo masculino?
— É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
— E como é o feminino de sexo?
— Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
— Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
— O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
— Não devia ser “a sexa”?
— Não.
— Por que não?
— Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.
— O sexo da mulher é masculino?
— É não! O sexo da mulher é feminino.
— E como é o feminino?
— Sexo mesmo. Igual ao do homem.
— O sexo da mulher é igual ao do homem?
— É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
— Certo.
— São duas coisas diferentes.
— Então como é o feminino de sexo?
— É igual ao masculino.
— Mas não são diferentes?
— Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
— Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
— A palavra é masculina.
— Não. “A palavra” é feminino. Se fosse masculina seria “o pal…”
— Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
— Temos que ficar de olho nesse guri…
— Por quê?
— Ele só pensa em gramática.